Comparativo

CDB ou Tesouro Direto: Qual Rende Mais em 2026?

Projeta Invest·29 de janeiro de 2026·10 min de leitura

Essa é provavelmente a dúvida mais comum entre investidores brasileiros de renda fixa: colocar o dinheiro no CDB ou no Tesouro Direto? Ambos são investimentos seguros, acessíveis e rendem acima da poupança — mas funcionam de formas diferentes e, dependendo da situação, um pode ser significativamente melhor que o outro.

Neste artigo, vou comparar os dois em profundidade: rentabilidade líquida, riscos, liquidez, tributação e em quais cenários cada um faz mais sentido.

O que é cada um (resumo rápido)

Tesouro Direto é o programa do governo federal que permite a qualquer pessoa comprar títulos públicos. Quando você compra um título do Tesouro, está emprestando dinheiro para o governo. É considerado o investimento mais seguro do Brasil, porque o risco é o de o próprio governo federal dar calote — algo extremamente improvável.

CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título emitido por bancos. Quando você compra um CDB, está emprestando dinheiro para o banco. Em troca, o banco te paga juros. CDBs são protegidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) em até R$ 250.000 por CPF por instituição.

Tipos e rentabilidade

Tesouro Direto — 3 tipos principais

Tesouro Selic (LFT): rende a taxa Selic. É pós-fixado — o rendimento acompanha a taxa de juros do momento. Melhor para reserva de emergência e curto prazo.

Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal): rende IPCA + taxa fixa. Protege contra inflação. Ideal para longo prazo (aposentadoria, objetivos de 5+ anos).

Tesouro Prefixado (LTN): taxa fixa definida na compra. Você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento. Bom quando se acredita que os juros vão cair.

CDB — 3 modalidades

CDB pós-fixado: rende um percentual do CDI (ex: 100% CDI, 110% CDI). O CDI acompanha de perto a Selic.

CDB IPCA+: rende IPCA + taxa fixa, similar ao Tesouro IPCA+.

CDB prefixado: taxa fixa, similar ao Tesouro Prefixado.

Comparação de rentabilidade bruta

Considerando o cenário de 2026, com Selic em torno de 14,25% ao ano e IPCA projetado em 5–6%:

Investimento Rentabilidade bruta estimada
Tesouro Selic ~14,25% ao ano
Tesouro IPCA+ 2035 IPCA + 6,5% (~12,5% nominal)
Tesouro Prefixado 2029 ~14,5% ao ano
CDB 100% CDI ~14,15% ao ano
CDB 110% CDI ~15,57% ao ano
CDB 120% CDI ~16,98% ao ano
CDB IPCA+ (banco médio) IPCA + 7–8%
Poupança (referência) ~7,44% ao ano

À primeira vista, CDBs de bancos menores pagam mais. E é verdade — mas há nuances importantes.

Tributação: onde a comparação fica real

Ambos pagam Imposto de Renda seguindo a tabela regressiva [¹]:

Prazo Alíquota de IR
Até 180 dias 22,5%
181 a 360 dias 20%
361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

Tesouro Direto também cobra uma taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o valor investido (isento para valores até R$ 10.000 no Tesouro Selic).

CDBs não têm taxa de custódia.

Comparação líquida (após IR e taxas) — investimento de R$ 50.000 por 2 anos

Premissas: Selic 14,25% a.a., CDI 14,15% a.a., IPCA 5,5% a.a., Tesouro IPCA+ com taxa real de 6,5% a.a. Alíquota de IR: 15% (prazo acima de 720 dias). Cálculo com juros compostos.

Investimento Rentabilidade bruta IR (15%) Taxa custódia Rendimento líquido Valor final
Tesouro Selic R$ 15.265 R$ 2.290 R$ 200 R$ 12.776 R$ 62.776
CDB 100% CDI R$ 15.151 R$ 2.273 R$ 0 R$ 12.878 R$ 62.878
CDB 110% CDI R$ 16.776 R$ 2.516 R$ 0 R$ 14.260 R$ 64.260
CDB 120% CDI R$ 18.422 R$ 2.763 R$ 0 R$ 15.658 R$ 65.658
Tesouro IPCA+ 2035 R$ 13.121 R$ 1.968 R$ 200 R$ 10.953 R$ 60.953

Os CDBs acima de 100% CDI ganham do Tesouro Selic em rentabilidade líquida. Mas isso vem com ressalvas.

Atenção: esses valores são simulações baseadas nas taxas vigentes em 2026. As taxas de Selic, CDI e IPCA mudam constantemente. O Tesouro IPCA+ na tabela aparece com rentabilidade menor porque estamos comparando um prazo curto (2 anos) — no longo prazo (10+ anos), o IPCA+ tende a superar o CDI [³].

Risco: a diferença que importa

Tesouro Direto: risco soberano (governo federal). É o investimento de menor risco no Brasil. Mesmo em crises severas, o governo tem instrumentos para honrar a dívida (emissão de moeda, por exemplo).

CDB: risco do banco emissor. Se o banco quebrar, o FGC cobre até R$ 250.000 por CPF por instituição [⁴]. Isso significa que:

  • Para valores até R$ 250.000 por banco, o risco efetivo é muito baixo
  • CDBs de bancos grandes (Itaú, Bradesco, BB) têm risco quase equivalente ao governo, mas pagam menos (geralmente 100% CDI ou menos)
  • CDBs de bancos médios e pequenos pagam mais (110–130% CDI) justamente porque têm mais risco

Na prática: se você respeita o limite do FGC e diversifica entre instituições, CDBs de bancos menores são seguros o suficiente para a maioria dos investidores.

Liquidez: quando você pode resgatar

Tesouro Selic: liquidez diária. Você resgata em D+1 (um dia útil). Ideal para reserva de emergência.

Tesouro IPCA+ e Prefixado: tecnicamente têm liquidez diária, mas sofrem marcação a mercado. Isso significa que, se você vender antes do vencimento, pode ter prejuízo ou lucro dependendo das condições do mercado. Na prática, são para manter até o vencimento.

CDB com liquidez diária: existe, mas geralmente paga menos (90–102% CDI). CDBs que pagam mais (110%+ CDI) quase sempre têm prazo fixo de 2 a 5 anos — seu dinheiro fica travado.

Investimento Liquidez Observação
Tesouro Selic D+1 Sem risco de perda
Tesouro IPCA+ D+1, mas com risco Marcação a mercado pode gerar prejuízo
Tesouro Prefixado D+1, mas com risco Idem
CDB liquidez diária D+0 ou D+1 Rende menos
CDB prazo fixo Só no vencimento Rende mais, mas dinheiro travado

Quando escolher o Tesouro Direto

Reserva de emergência. O Tesouro Selic é o melhor lugar para sua reserva. Liquidez imediata, risco praticamente zero e rendimento decente. Nenhum CDB combina esses três fatores tão bem.

Investimento de longo prazo com proteção contra inflação. O Tesouro IPCA+ garante poder de compra no futuro [²]. Se você está investindo para aposentadoria daqui a 15–30 anos, é difícil bater isso em termos de segurança.

Valores acima de R$ 250.000 em uma única instituição. Acima do limite do FGC, o CDB fica mais arriscado. O Tesouro não tem esse limite.

Simplicidade. Uma única plataforma, poucos títulos, regras claras. Para quem não quer complexidade, o Tesouro Direto é imbatível.

Quando escolher o CDB

Você quer rentabilidade máxima e aceita travar o dinheiro. CDBs de 110–120% CDI com prazo de 3–5 anos rendem significativamente mais que o Tesouro Selic. Se você não vai precisar do dinheiro antes do vencimento, é vantajoso.

O valor está dentro do limite do FGC. Com até R$ 250.000 por banco, o risco é controlado. Diversifique entre 2–3 bancos e mantenha cada posição abaixo do limite.

Você quer evitar a marcação a mercado. CDBs de prazo fixo não sofrem com oscilação de preço — você recebe exatamente o combinado no vencimento. O Tesouro IPCA+ e Prefixado podem oscilar bastante antes do vencimento.

LCI e LCA disponíveis. Primos do CDB, as LCIs (imobiliárias) e LCAs (agrícolas) são isentas de IR para pessoa física. Uma LCI que paga 95% CDI pode render mais que um CDB de 115% CDI após impostos. Vale sempre comparar.

A estratégia inteligente: combine os dois

Para a maioria dos investidores, a resposta não é "CDB ou Tesouro Direto" — é "CDB e Tesouro Direto", cada um com sua função:

Reserva de emergência (3–6 meses de gastos): 100% no Tesouro Selic. Não negocie isso.

Metas de médio prazo (1–5 anos): CDBs de 110%+ CDI com vencimento alinhado à data do objetivo. Ou Tesouro Prefixado se acredita que os juros vão cair.

Aposentadoria/longo prazo (10+ anos): Tesouro IPCA+ com vencimento mais longo. A proteção contra inflação é fundamental para prazos longos.

Oportunidades: quando aparecer um CDB de 130% CDI ou uma LCI de 100% CDI, aproveite — desde que respeite o limite do FGC e o prazo não te incomode.

Simule e compare

Cada situação é única. A rentabilidade que vale mais pra você depende do prazo, do valor, da sua necessidade de liquidez e da sua faixa de IR.

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Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. As taxas e valores mencionados refletem estimativas para o cenário de 2026 e podem mudar. Consulte as condições atuais antes de investir.


Fontes e referências

[¹] Tesouro Nacional. Tributação de Renda Fixa — alíquotas regressivas de IR. Disponível em: nuinvest.com.br

[²] Tesouro Nacional. Tesouro IPCA+ — características e rentabilidade. Disponível em: tesourodireto.com.br

[³] Seu Dinheiro (2025). "Tesouro IPCA+ com taxa a 8%: quanto rendem R$ 10 mil aplicados." Disponível em: seudinheiro.com

[⁴] Fundo Garantidor de Créditos — FGC. Limite de cobertura: R$ 250.000 por CPF por instituição financeira. Disponível em: fgc.org.br

[⁵] B3 / Bora Investir (2025). "Tabela regressiva do Imposto de Renda." Disponível em: borainvestir.b3.com.br

[⁶] Blog Daycoval (2025). "MP 1.303 não aprovada: O Impacto na Tributação de Investimentos." Disponível em: blog.daycoval.com.br

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