Essa é provavelmente a dúvida mais comum entre investidores brasileiros de renda fixa: colocar o dinheiro no CDB ou no Tesouro Direto? Ambos são investimentos seguros, acessíveis e rendem acima da poupança — mas funcionam de formas diferentes e, dependendo da situação, um pode ser significativamente melhor que o outro.
Neste artigo, vou comparar os dois em profundidade: rentabilidade líquida, riscos, liquidez, tributação e em quais cenários cada um faz mais sentido.
O que é cada um (resumo rápido)
Tesouro Direto é o programa do governo federal que permite a qualquer pessoa comprar títulos públicos. Quando você compra um título do Tesouro, está emprestando dinheiro para o governo. É considerado o investimento mais seguro do Brasil, porque o risco é o de o próprio governo federal dar calote — algo extremamente improvável.
CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título emitido por bancos. Quando você compra um CDB, está emprestando dinheiro para o banco. Em troca, o banco te paga juros. CDBs são protegidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) em até R$ 250.000 por CPF por instituição.
Tipos e rentabilidade
Tesouro Direto — 3 tipos principais
Tesouro Selic (LFT): rende a taxa Selic. É pós-fixado — o rendimento acompanha a taxa de juros do momento. Melhor para reserva de emergência e curto prazo.
Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal): rende IPCA + taxa fixa. Protege contra inflação. Ideal para longo prazo (aposentadoria, objetivos de 5+ anos).
Tesouro Prefixado (LTN): taxa fixa definida na compra. Você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento. Bom quando se acredita que os juros vão cair.
CDB — 3 modalidades
CDB pós-fixado: rende um percentual do CDI (ex: 100% CDI, 110% CDI). O CDI acompanha de perto a Selic.
CDB IPCA+: rende IPCA + taxa fixa, similar ao Tesouro IPCA+.
CDB prefixado: taxa fixa, similar ao Tesouro Prefixado.
Comparação de rentabilidade bruta
Considerando o cenário de 2026, com Selic em torno de 14,25% ao ano e IPCA projetado em 5–6%:
| Investimento | Rentabilidade bruta estimada |
|---|---|
| Tesouro Selic | ~14,25% ao ano |
| Tesouro IPCA+ 2035 | IPCA + 6,5% (~12,5% nominal) |
| Tesouro Prefixado 2029 | ~14,5% ao ano |
| CDB 100% CDI | ~14,15% ao ano |
| CDB 110% CDI | ~15,57% ao ano |
| CDB 120% CDI | ~16,98% ao ano |
| CDB IPCA+ (banco médio) | IPCA + 7–8% |
| Poupança (referência) | ~7,44% ao ano |
À primeira vista, CDBs de bancos menores pagam mais. E é verdade — mas há nuances importantes.
Tributação: onde a comparação fica real
Ambos pagam Imposto de Renda seguindo a tabela regressiva [¹]:
| Prazo | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| 181 a 360 dias | 20% |
| 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Tesouro Direto também cobra uma taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o valor investido (isento para valores até R$ 10.000 no Tesouro Selic).
CDBs não têm taxa de custódia.
Comparação líquida (após IR e taxas) — investimento de R$ 50.000 por 2 anos
Premissas: Selic 14,25% a.a., CDI 14,15% a.a., IPCA 5,5% a.a., Tesouro IPCA+ com taxa real de 6,5% a.a. Alíquota de IR: 15% (prazo acima de 720 dias). Cálculo com juros compostos.
| Investimento | Rentabilidade bruta | IR (15%) | Taxa custódia | Rendimento líquido | Valor final |
|---|---|---|---|---|---|
| Tesouro Selic | R$ 15.265 | R$ 2.290 | R$ 200 | R$ 12.776 | R$ 62.776 |
| CDB 100% CDI | R$ 15.151 | R$ 2.273 | R$ 0 | R$ 12.878 | R$ 62.878 |
| CDB 110% CDI | R$ 16.776 | R$ 2.516 | R$ 0 | R$ 14.260 | R$ 64.260 |
| CDB 120% CDI | R$ 18.422 | R$ 2.763 | R$ 0 | R$ 15.658 | R$ 65.658 |
| Tesouro IPCA+ 2035 | R$ 13.121 | R$ 1.968 | R$ 200 | R$ 10.953 | R$ 60.953 |
Os CDBs acima de 100% CDI ganham do Tesouro Selic em rentabilidade líquida. Mas isso vem com ressalvas.
Atenção: esses valores são simulações baseadas nas taxas vigentes em 2026. As taxas de Selic, CDI e IPCA mudam constantemente. O Tesouro IPCA+ na tabela aparece com rentabilidade menor porque estamos comparando um prazo curto (2 anos) — no longo prazo (10+ anos), o IPCA+ tende a superar o CDI [³].
Risco: a diferença que importa
Tesouro Direto: risco soberano (governo federal). É o investimento de menor risco no Brasil. Mesmo em crises severas, o governo tem instrumentos para honrar a dívida (emissão de moeda, por exemplo).
CDB: risco do banco emissor. Se o banco quebrar, o FGC cobre até R$ 250.000 por CPF por instituição [⁴]. Isso significa que:
- Para valores até R$ 250.000 por banco, o risco efetivo é muito baixo
- CDBs de bancos grandes (Itaú, Bradesco, BB) têm risco quase equivalente ao governo, mas pagam menos (geralmente 100% CDI ou menos)
- CDBs de bancos médios e pequenos pagam mais (110–130% CDI) justamente porque têm mais risco
Na prática: se você respeita o limite do FGC e diversifica entre instituições, CDBs de bancos menores são seguros o suficiente para a maioria dos investidores.
Liquidez: quando você pode resgatar
Tesouro Selic: liquidez diária. Você resgata em D+1 (um dia útil). Ideal para reserva de emergência.
Tesouro IPCA+ e Prefixado: tecnicamente têm liquidez diária, mas sofrem marcação a mercado. Isso significa que, se você vender antes do vencimento, pode ter prejuízo ou lucro dependendo das condições do mercado. Na prática, são para manter até o vencimento.
CDB com liquidez diária: existe, mas geralmente paga menos (90–102% CDI). CDBs que pagam mais (110%+ CDI) quase sempre têm prazo fixo de 2 a 5 anos — seu dinheiro fica travado.
| Investimento | Liquidez | Observação |
|---|---|---|
| Tesouro Selic | D+1 | Sem risco de perda |
| Tesouro IPCA+ | D+1, mas com risco | Marcação a mercado pode gerar prejuízo |
| Tesouro Prefixado | D+1, mas com risco | Idem |
| CDB liquidez diária | D+0 ou D+1 | Rende menos |
| CDB prazo fixo | Só no vencimento | Rende mais, mas dinheiro travado |
Quando escolher o Tesouro Direto
Reserva de emergência. O Tesouro Selic é o melhor lugar para sua reserva. Liquidez imediata, risco praticamente zero e rendimento decente. Nenhum CDB combina esses três fatores tão bem.
Investimento de longo prazo com proteção contra inflação. O Tesouro IPCA+ garante poder de compra no futuro [²]. Se você está investindo para aposentadoria daqui a 15–30 anos, é difícil bater isso em termos de segurança.
Valores acima de R$ 250.000 em uma única instituição. Acima do limite do FGC, o CDB fica mais arriscado. O Tesouro não tem esse limite.
Simplicidade. Uma única plataforma, poucos títulos, regras claras. Para quem não quer complexidade, o Tesouro Direto é imbatível.
Quando escolher o CDB
Você quer rentabilidade máxima e aceita travar o dinheiro. CDBs de 110–120% CDI com prazo de 3–5 anos rendem significativamente mais que o Tesouro Selic. Se você não vai precisar do dinheiro antes do vencimento, é vantajoso.
O valor está dentro do limite do FGC. Com até R$ 250.000 por banco, o risco é controlado. Diversifique entre 2–3 bancos e mantenha cada posição abaixo do limite.
Você quer evitar a marcação a mercado. CDBs de prazo fixo não sofrem com oscilação de preço — você recebe exatamente o combinado no vencimento. O Tesouro IPCA+ e Prefixado podem oscilar bastante antes do vencimento.
LCI e LCA disponíveis. Primos do CDB, as LCIs (imobiliárias) e LCAs (agrícolas) são isentas de IR para pessoa física. Uma LCI que paga 95% CDI pode render mais que um CDB de 115% CDI após impostos. Vale sempre comparar.
A estratégia inteligente: combine os dois
Para a maioria dos investidores, a resposta não é "CDB ou Tesouro Direto" — é "CDB e Tesouro Direto", cada um com sua função:
Reserva de emergência (3–6 meses de gastos): 100% no Tesouro Selic. Não negocie isso.
Metas de médio prazo (1–5 anos): CDBs de 110%+ CDI com vencimento alinhado à data do objetivo. Ou Tesouro Prefixado se acredita que os juros vão cair.
Aposentadoria/longo prazo (10+ anos): Tesouro IPCA+ com vencimento mais longo. A proteção contra inflação é fundamental para prazos longos.
Oportunidades: quando aparecer um CDB de 130% CDI ou uma LCI de 100% CDI, aproveite — desde que respeite o limite do FGC e o prazo não te incomode.
Simule e compare
Cada situação é única. A rentabilidade que vale mais pra você depende do prazo, do valor, da sua necessidade de liquidez e da sua faixa de IR.
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Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. As taxas e valores mencionados refletem estimativas para o cenário de 2026 e podem mudar. Consulte as condições atuais antes de investir.
Fontes e referências
[¹] Tesouro Nacional. Tributação de Renda Fixa — alíquotas regressivas de IR. Disponível em: nuinvest.com.br
[²] Tesouro Nacional. Tesouro IPCA+ — características e rentabilidade. Disponível em: tesourodireto.com.br
[³] Seu Dinheiro (2025). "Tesouro IPCA+ com taxa a 8%: quanto rendem R$ 10 mil aplicados." Disponível em: seudinheiro.com
[⁴] Fundo Garantidor de Créditos — FGC. Limite de cobertura: R$ 250.000 por CPF por instituição financeira. Disponível em: fgc.org.br
[⁵] B3 / Bora Investir (2025). "Tabela regressiva do Imposto de Renda." Disponível em: borainvestir.b3.com.br
[⁶] Blog Daycoval (2025). "MP 1.303 não aprovada: O Impacto na Tributação de Investimentos." Disponível em: blog.daycoval.com.br