Comparativo

CDB ou Tesouro Direto: Qual Rende Mais em 2026?

Projeta Invest·29 de janeiro de 2026·10 min de leitura

R$ 50.000 investidos por dois anos no Tesouro Selic rendem, líquido, cerca de R$ 13.196. O mesmo valor num CDB de 110% do CDI, pelo mesmo prazo: R$ 14.715. Diferença: R$ 1.519. [¹]

Mas o CDB de 110% CDI trava seu dinheiro por dois anos. O Tesouro Selic você resgata amanhã. Essa diferença de liquidez vale R$ 1.519 para você? Depende do que você precisa. E é exatamente aí que a maioria das comparações entre esses dois investimentos falha — elas param no número bruto e ignoram o contexto.

O que você está comprando em cada caso

Quando você investe no Tesouro Direto, está emprestando dinheiro ao governo federal. O risco é soberano — o mais baixo da economia brasileira. Antes de o governo dar calote num título público, praticamente todo o sistema financeiro do país já teria colapsado. Não existe proteção mais sólida.

Quando você investe num CDB, está emprestando dinheiro a um banco. Se o banco quebrar, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) cobre até R$ 250.000 por CPF por instituição. [²] Dentro desse limite, o risco prático é controlado. Mas há uma nuance importante: em caso de intervenção ou liquidação do banco, o FGC pode levar meses para liberar os recursos. Segurança e liquidez são coisas diferentes.

Os três títulos do Tesouro e as três modalidades de CDB

O Tesouro Selic rende a taxa Selic diariamente — hoje em 14,75% ao ano — e pode ser resgatado em qualquer dia útil sem risco de perda. É o título para quem não sabe quando vai precisar do dinheiro.

O Tesouro IPCA+ rende IPCA mais uma taxa fixa, hoje em torno de IPCA + 6,5% ao ano nos vencimentos mais longos. Protege o poder de compra no longo prazo — mas apenas se mantido até o vencimento. Vender antes expõe o investidor à marcação a mercado, e o preço pode estar abaixo do que foi pago.

O Tesouro Prefixado trava uma taxa fixa no momento da compra. Interessante se o investidor acredita que os juros vão cair — o que o mercado projeta para o segundo semestre de 2026, com a Selic esperada em 12,5% ao final do ano segundo o Boletim Focus. [³]

No lado dos CDBs, o pós-fixado atrelado ao CDI é o mais comum. O CDI hoje está em 14,65% ao ano — próximo à Selic, ligeiramente abaixo. CDB de 100% CDI rende praticamente o mesmo que o Tesouro Selic, mas sem taxa de custódia. CDBs de 110% a 120% CDI pagam mais, mas quase sempre exigem prazo fixo de dois a cinco anos.

A comparação que importa: rentabilidade líquida

Ambos seguem a mesma tabela regressiva de IR: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias, 15% acima de 720 dias. [²]

O Tesouro Direto ainda tem a taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano sobre o valor investido, com isenção para o Tesouro Selic até R$ 10.000. CDBs não têm essa taxa.

Simulação com R$ 50.000 por dois anos — premissas: Selic 14,75%, CDI 14,65%, IR 15% (prazo acima de 720 dias):

Investimento Bruto IR (15%) Custódia Líquido Total
Tesouro Selic R$ 15.760 R$ 2.364 R$ 200 R$ 13.196 R$ 63.196
CDB 100% CDI R$ 15.647 R$ 2.347 R$ 0 R$ 13.300 R$ 63.300
CDB 110% CDI R$ 17.312 R$ 2.597 R$ 0 R$ 14.715 R$ 64.715
CDB 120% CDI R$ 19.000 R$ 2.850 R$ 0 R$ 16.150 R$ 66.150
Tesouro IPCA+ 2035 R$ 13.480 R$ 2.022 R$ 200 R$ 11.258 R$ 61.258

O Tesouro IPCA+ aparece com resultado menor porque estamos simulando dois anos — prazo curto para um título pensado para décadas. No longo prazo, a proteção inflacionária tende a superar o CDI. [⁴] Comparar os dois num horizonte de dois anos é como avaliar um atleta de maratona numa prova de 100 metros.

O risco que o número não mostra

CDB de banco grande — Itaú, Bradesco, Caixa — tem risco próximo ao soberano, mas paga 95–102% CDI. A segurança tem preço.

CDB de banco médio ou pequeno paga 110–130% CDI justamente porque o risco é maior. O FGC cobre, mas não é instantâneo. Quem já passou por uma liquidação bancária sabe que "coberto pelo FGC" e "dinheiro disponível amanhã" são afirmações bem diferentes.

A liquidez que parece existir — mas não existe

O Tesouro IPCA+ e o Prefixado têm liquidez diária no papel. Na prática, sacar antes do vencimento é uma aposta no preço de mercado naquele dia. Em ciclos de alta de juros — como o que o Brasil viveu de 2021 a 2025 — títulos prefixados e IPCA+ perderam valor no mercado secundário. Investidores que precisaram do dinheiro antes do prazo realizaram prejuízo em títulos do governo federal. O título em si era sólido. O momento do resgate não era.

Para esses títulos, o prazo de vencimento não é um detalhe — é parte essencial do produto.

Quando cada um faz sentido

Tesouro Selic é a escolha para reserva de emergência. Sem discussão. Liquidez imediata, risco mínimo, rendimento honesto. Nenhum CDB une esses três fatores com a mesma eficiência.

Tesouro IPCA+ é para aposentadoria e objetivos de dez anos ou mais. A proteção contra inflação ao longo de décadas é difícil de replicar. Quem trava hoje uma taxa de IPCA + 6,5% está contratando um retorno real que historicamente esteve próximo de 4,5%–5% ao ano. [⁴]

CDB de 110%+ CDI faz sentido quando o investidor pode travar o dinheiro pelo prazo e o valor está dentro do limite do FGC. A diferença de rentabilidade em relação ao Tesouro Selic é real e compensa para objetivos com data definida.

LCI e LCA merecem atenção especial. Isentas de IR para pessoa física, uma LCI de 91% CDI entrega 12,32% ao ano líquido [¹] — mais do que o Tesouro Selic depois de imposto. Sempre compare o líquido, não o bruto.

A estratégia que funciona para a maioria não é escolher entre os dois. É usar cada um onde ele é superior: Tesouro Selic para a reserva, CDB ou LCI/LCA para objetivos com prazo definido, Tesouro IPCA+ para o longo prazo.

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Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Taxas mencionadas refletem estimativas para abril de 2026 e podem mudar.


Referências

[¹] INVESTIDOR10 / C6 BANK. CDB a 105% do CDI renderá quanto em 2026? Jan. 2026. Disponível em: investidor10.com.br. Acesso em: 1 abr. 2026.

[²] B3 / BORA INVESTIR. Tabela regressiva do Imposto de Renda. 2025. Disponível em: borainvestir.b3.com.br. Acesso em: 1 abr. 2026.

[³] BANCO CENTRAL DO BRASIL. Boletim Focus — Selic projetada para fim de 2026: 12,5%. Mar. 2026. Disponível em: bcb.gov.br. Acesso em: 1 abr. 2026.

[⁴] SEU DINHEIRO. Tesouro IPCA+ com taxa a 8%: oportunidade ou armadilha? 2025. Disponível em: seudinheiro.com. Acesso em: 1 abr. 2026.

[⁵] FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITOS. Limite de cobertura: R$ 250.000 por CPF por instituição. Disponível em: fgc.org.br. Acesso em: 1 abr. 2026.

O que é cada um — direto ao ponto

Tesouro Direto é o programa do governo federal para venda de títulos públicos a pessoas físicas. Quando você compra um título do Tesouro, está emprestando dinheiro ao governo. O risco é soberano — o mais baixo da economia brasileira. O governo pode emitir moeda para honrar a dívida, algo que nenhum banco pode fazer.

CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título emitido por bancos. Você empresta dinheiro à instituição e recebe juros. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) cobre até R$ 250.000 por CPF por instituição em caso de quebra [⁴]. Dentro desse limite, o risco prático é baixo. Acima dele, é outra conversa.

Os três tipos de cada um

Tesouro Direto

Tesouro Selic: rende a taxa Selic diariamente. Pós-fixado, sem surpresas. Com a Selic em 14,75% ao ano, é a melhor opção para reserva de emergência — liquidez em D+1 sem risco de perda.

Tesouro IPCA+: rende IPCA mais uma taxa fixa. Hoje, os vencimentos mais longos pagam algo em torno de IPCA + 6,5% ao ano. Garante poder de compra no longo prazo — mas apenas se você mantiver até o vencimento. Vender antes significa enfrentar a marcação a mercado, e o preço pode estar abaixo do que você pagou.

Tesouro Prefixado: taxa fixa definida na compra. Você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento. Interessante se acredita que os juros vão cair — o que o mercado projeta para o segundo semestre de 2026.

CDB

Pós-fixado (% do CDI): o mais comum. Rende um percentual do CDI, que hoje está em 14,65% ao ano — próximo à Selic, mas um pouco abaixo. CDB de 100% CDI rende praticamente o mesmo que o Tesouro Selic, mas sem taxa de custódia.

IPCA+: similar ao Tesouro IPCA+, mas emitido por bancos. Bancos médios costumam pagar IPCA + 7% ou mais — acima do Tesouro — para atrair capital.

Prefixado: taxa fixa. Mesma lógica do Tesouro Prefixado, mas com risco de crédito do banco.

Rentabilidade bruta — o panorama de 2026

Investimento Rentabilidade bruta estimada
Tesouro Selic ~14,75% ao ano
Tesouro IPCA+ 2035 IPCA + 6,5% (~11% nominal)
Tesouro Prefixado 2029 ~13,5% ao ano
CDB 100% CDI ~14,65% ao ano
CDB 110% CDI ~16,1% ao ano
CDB 120% CDI ~17,6% ao ano
CDB IPCA+ (banco médio) IPCA + 7–8%
Poupança ~6,17% ao ano

À primeira vista, CDBs de bancos menores ganham. Mas o rendimento bruto é a parte mais enganosa da comparação.

A comparação que importa: rentabilidade líquida

Ambos seguem a mesma tabela regressiva de IR [¹]:

Prazo Alíquota
Até 180 dias 22,5%
181 a 360 dias 20%
361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

O Tesouro Direto ainda tem a taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano sobre o valor investido, com isenção para valores até R$ 10.000 no Tesouro Selic [²]. CDBs não têm essa taxa.

Simulação: R$ 50.000 investidos por 2 anos

Premissas: Selic 14,75% a.a., CDI 14,65% a.a., IPCA 4,31% a.a., Tesouro IPCA+ com taxa real de 6,5% a.a. IR de 15% (prazo acima de 720 dias). Juros compostos.

Investimento Bruto IR (15%) Custódia Líquido Total
Tesouro Selic R$ 15.760 R$ 2.364 R$ 200 R$ 13.196 R$ 63.196
CDB 100% CDI R$ 15.647 R$ 2.347 R$ 0 R$ 13.300 R$ 63.300
CDB 110% CDI R$ 17.312 R$ 2.597 R$ 0 R$ 14.715 R$ 64.715
CDB 120% CDI R$ 19.000 R$ 2.850 R$ 0 R$ 16.150 R$ 66.150
Tesouro IPCA+ 2035 R$ 13.480 R$ 2.022 R$ 200 R$ 11.258 R$ 61.258

O CDB 100% CDI supera o Tesouro Selic em rentabilidade líquida — a diferença da custódia faz isso. CDBs acima de 100% CDI ganham com folga. Mas há três ressalvas importantes que os números não mostram.

O Tesouro IPCA+ aparece com rentabilidade menor porque estamos simulando apenas 2 anos. No longo prazo — 10, 15, 20 anos — a proteção contra inflação tende a superar o CDI [³]. É uma comparação de prazos diferentes, não de qualidade.

CDBs de 110–120% CDI quase sempre exigem travar o dinheiro por 2 a 5 anos. O Tesouro Selic você resgata amanhã, se precisar.

Rentabilidade maior em CDB de banco médio significa risco maior. O FGC cobre até R$ 250.000, mas em caso de intervenção, o dinheiro pode demorar meses para ser devolvido.

Risco: o que os números não mostram

Tesouro Direto tem risco soberano. Na prática, é o investimento mais seguro do Brasil. Não existe cenário em que o governo federal deixe de honrar títulos públicos sem antes haver uma crise sistêmica que afetaria todos os outros investimentos também.

CDB de banco grande (Itaú, Bradesco, Caixa, BB) tem risco muito próximo do soberano, mas paga menos — geralmente 95–102% CDI. A segurança custa caro.

CDB de banco médio ou pequeno paga mais justamente porque tem mais risco. O FGC é uma rede de proteção real, mas não é garantia imediata de liquidez.

Liquidez: quando você pode sair

Investimento Liquidez Risco de perda ao resgatar
Tesouro Selic D+1 Praticamente nenhum
Tesouro IPCA+ D+1 Sim — marcação a mercado
Tesouro Prefixado D+1 Sim — marcação a mercado
CDB liquidez diária D+0 ou D+1 Não, mas rende menos
CDB prazo fixo Só no vencimento Não se mantido até o prazo

O Tesouro IPCA+ e o Prefixado têm liquidez teórica diária, mas sacar antes do vencimento é uma aposta no humor do mercado naquele dia. Já vi investidores perderem dinheiro em títulos públicos por resgatar na hora errada. Para esses títulos, o prazo de vencimento é parte essencial do produto.

Quando o Tesouro Direto é a escolha certa

Reserva de emergência. Sem discussão: Tesouro Selic. Liquidez imediata, risco praticamente zero, rendimento honesto. Nenhum CDB oferece essa combinação ao mesmo tempo.

Aposentadoria e longo prazo. Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035, 2040 ou 2045. A proteção contra inflação ao longo de décadas é difícil de replicar com outra classe de ativo de renda fixa.

Valores acima de R$ 250.000 em uma única instituição. Acima do teto do FGC, o Tesouro não tem limite de proteção.

Simplicidade. Uma plataforma, poucos títulos, regras claras. Para quem não quer complexidade, o Tesouro Direto é imbatível.

Quando o CDB faz mais sentido

Você quer rentabilidade maior e pode travar o dinheiro. CDB de 110–120% CDI com vencimento em 2 a 4 anos entrega mais do que o Tesouro Selic, respeitando o limite do FGC.

Você quer evitar a marcação a mercado. CDB prefixado ou pós-fixado com prazo definido entrega exatamente o que prometeu no vencimento — sem a oscilação de preço que o Tesouro Prefixado e o IPCA+ apresentam antes do prazo.

LCI e LCA como alternativa. Primas do CDB, as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio são isentas de IR para pessoa física. Uma LCI pagando 90% CDI pode render mais, depois de impostos, do que um CDB de 108% CDI. Sempre compare o líquido, não o bruto.

A estratégia que funciona para a maioria

Não é CDB ou Tesouro Direto. É os dois, cada um no lugar certo.

Reserva de emergência (3–6 meses de gastos): Tesouro Selic. Ponto final.

Objetivos de médio prazo (1–4 anos): CDB de 110%+ CDI com vencimento alinhado ao objetivo. Se os juros parecem altos e você acredita que vão cair, Tesouro Prefixado com vencimento próximo da sua meta.

Longo prazo e aposentadoria (10+ anos): Tesouro IPCA+ com vencimento longo. A proteção contra inflação ao longo do tempo compensa qualquer diferença de rentabilidade no curto prazo.

Oportunidade pontual: quando aparecer uma LCI de 95% CDI ou um CDB de banco sólido pagando 115% CDI, aproveite — dentro do limite do FGC.

Compare antes de decidir

Cada situação tem um número diferente. O prazo, o valor, a necessidade de liquidez e sua faixa de imposto de renda mudam completamente qual investimento é mais vantajoso para você.

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Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. As taxas mencionadas refletem estimativas para o cenário de 2026 e podem mudar. Consulte as condições atuais antes de investir.


Fontes e referências

[¹] B3 / Bora Investir (2025). "Tabela regressiva do Imposto de Renda." Disponível em: borainvestir.b3.com.br

[²] Tesouro Nacional. Taxa de custódia B3 e características dos títulos. Disponível em: tesourodireto.com.br

[³] Seu Dinheiro (2025). "Tesouro IPCA+ com taxa a 8%: quanto rendem R$ 10 mil aplicados." Disponível em: seudinheiro.com

[⁴] Fundo Garantidor de Créditos. Limite de cobertura: R$ 250.000 por CPF por instituição. Disponível em: fgc.org.br

[⁵] Blog Daycoval (2025). "MP 1.303 não aprovada: o impacto na tributação de investimentos." Disponível em: blog.daycoval.com.br

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